SÁBADO PARA TODOS (DT 5:12-15)

Artigo submetido como parte dos requisitos necessários
para a disciplina de Pentateuco da Faculdade Adventista da Amazônia, sob
orientação do Prof. Me. Ezinaldo Ubirajara.
SÁBADO
PARA TODOS (DT 5:12-15)
1
INTRODUÇÃO
Os Dez Mandamentos, dados
por Deus ao povo de Israel no monte Sinai, são regras importantes para o
convívio social (por ex.: não matar, roubar ou adulterar) e, também, para
manter um bom relacionamento com o próprio Deus. Os Mandamentos estão descritos
em Êxodo 20 e foram repetidos em Deuteronômios 5 com apenas uma pequena
alteração no quarto mandamento. Mas quais seriam os motivos para essa
“mudança”?
2
TEOLOGIA
O mandamento que ordena a
observância do sábado não sofreu nenhuma alteração básica ao ser pronunciado
segunda vez por Moisés em Deuteronômios. A única mudança diz respeito a
justificativa para a guarda do sábado.
2.1
O sábado em Êxodo
Em Êxodo 20:8 a 11
podemos ler:
“Lembra-te
do dia de sábado para o santificar. Seis dias trabalharas e farás toda a tua
obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum
trabalho, nem tu, nem filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva,
nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque em seis
dias, fez o Senhor os céu e a terra, o mar e tudo o que nele há e, ao sétimo
dia, descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.”
O Mandamento é
apresentado sobre o argumento da criação. Deus ordenou que os israelitas, Seu
povo que havia sido resgatado do Egito após vários anos de escravidão,
observasse esse dia em reconhecimento ao Deus criador.
Dessa forma eles sempre
iriam recordar que em seis dias o Senhor Deus fez os céus, a terra, os mares e
tudo o que conhecemos; mas no sétimo dia, após ter finalizado toda a obra, Deus
descansou e separou aquele dia dos demais dias da semana e o abençoou como uma
benção não destinada a nenhum outro dia.
O povo de Israel já estava
como escravo a muito tempo. Eles viviam em uma terra politeísta onde o Deus
verdadeiro não era adorado. Deus, então, depois de resgata-los da escravidão
egípcia, resgata-os, também, de seus costumes religiosos errados.
Deus se apresenta como
criador e afirma que há um dia especial, reservado por ele mesmo, para o seu
povo. O sábado não seria apenas um dia para descansar, mas também um dia para
estar com Deus.
Ao
Deus escolher um meio especial de comunhão com suas criaturas, por que teria
Ele escolhido um dia específico (o sábado), em vez de um lugar especifico no
Jardim do Éden? Sakae Kubu sugere que Deus “escolheu um seguimento” de tempo
para comungar com suas criaturas por três motivos: (1) porque o tempo é
universal e está em toda parte; (2) porque o tempo é imaterial, apontando para
as coisas espirituais, além do espaço e da matéria; (3) porque o tempo é
todo-abarcante, jamais oscilando em intensidade.14 São essas as
caraterísticas do tempo que permitem que o sábado chegue igualmente a todos os
seres humanos (ricos e pobres, cultos e incultos) como um “santuário no tempo”.15
(TIMM, 2010, p. 24)
Deus afirmar
categoricamente: “Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus” (Êxodo
20:10). Dessa maneira o Criador cobra para si a atenção humana (suas criaturas)
nesse dia especial.
É evidente que o
propósito de Deus era que o sábado servisse como um dia especial não apenas
para os israelitas, mas para todos os povos da terra. Em Isaias 56:5 e 6 vemos
isso com clareza.
2.2
O sábado em Deuteronômios
“Os discursos
pronunciados no livro de Deuteronômios foram feitos cerca de 40 anos após a
saída do Egito” (COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA, 2012, v. 1,
p.1041).
É possível que muitos que
estavam ouvindo aquele discurso de Moises tivessem nascido durante a caminhada
pelo deserto, ou, até mesmo, que tenham saído do Egito quando eram crianças e
não lembrassem com exatidão os feitos de Deus e seus mandamentos.
Moises faz então um
apanhado geral de tudo quanto havia ocorrido e repete várias leis e ordenanças
que Deus havia dado ao povo, incluindo os Dez Mandamentos
.
Quanto ao mandamento do
sábado, podemos ler em Deuteronômios 5:12 a 15:
Guarda
o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor teu Deus. Seis
dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do
Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, tem o teu filho, nem a tua
filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem
animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu
servo e a tua serva descanse como tu; porque te lembrarás que fostes servo na
terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu
Deus, te ordenou que guardasse o dia de sábado.
O início do mandamento é
apresentado de forma a trazer a lembrança a ordem de Deus com relação ao
sábado. O povo deveria lembrar de santificar o sábado, como já havia sido
ordenado. Porém com um proposito diferente do apresentado na vez anterior. O
sábado agora já não seria apenas uma lembrança do Deus criador, mas seria
também uma lembrança do Deus libertador que havia liberto o povo e provido as
suas necessidades ate então.
Mas porque esse
mandamento foi apresentado dessa forma para aqueles que não haviam passado pela
escravidão? Não faria bem mais sentido Deus ter apresentado dessa forma ao povo
que havia passado pela escravidão? Eles com certeza entenderiam bem melhor, não
é verdade?
Talvez não. Após quarenta
anos vagueando pelo deserto em direção a terra prometida por Deus, os
israelitas tiveram que enfrentar várias privações por não terem uma residência
fixa, lutas e mais lutas com os que tentavam atrapalhar a sua jornada, confiar
unicamente em Deus para prover o alimento diário e tudo mais.
Com certeza a maioria não
teve uma experiência ampla com a escravidão, mas de forma alguma desejavam
passar por tal coisa.
O povo estava preste a
entrar na terra prometida. A jornada estava quase no fim. Em pouco tempo eles
iriam fixar residência e, ao invés de uma vida de nômades, teriam que trabalhar
na terra (agricultura e/ou pecuária, por exemplo), e muitos iriam contratar
pessoas para auxiliar nesse trabalho.
Dessa forma Deus se
adianta ao esclarecer que as atividades deverem ser cessadas aos sábados “para
que o teu servo e a tua serva descanse como tu” (Deuteronômios 5:14).
Seria uma tremenda injustiça
que as pessoas ficassem paradas aos sábados enquanto seus funcionários trabalhassem
normalmente. Essa foi uma das razões para Deus apresentar o sábado dessa forma.
O sábado foi criado para
beneficiar a todos. Esse sempre foi o propósito de Deus.
A
universalidade do sábado está enraizada na criação. Assim seus privilégios e obrigações
se estendem a todas as nações, setores ou classes (Êx 20:11; 23:12; Dt 5:15; Is
56:1-8). A observância do sábado se refere a todos os membros da família,
inclusive criança, e se estende até mesmo aos “forasteiros das tuas portas para
dentro” (Êx 20:10). (PAROUSIA, p. 77, 2012)
É importante salientar
que era desejo de Deus que as demais nações pudessem ter esse dia para repouso
e adoração. Isso se confirma quando observamos que o sábado não foi dado
somente para o povo judeu, mas sim para todos os moradores da terra. Em Gênesis
2:1-3, a primeira vez que a observância do sábado é requerida, só havia Adão e
Eva habitando em nosso planeta. E eles eram “todos os moradores da Terra”.
3
APLICAÇÃO
É possível fazer várias
aplicações homotéticas desse texto. Entretanto, há uma que me veio à mente e me
chamou bastante a atenção. Passo a desenvolve-la abaixo.
Hoje os adventistas do
sétimo dia, o povo de Deus e quem ainda mantem a observância do sábado, não
fazem parte de uma única nação, como foi com Israel. Somos mais de 20 milhões e
estamos espalhados por mais de 220 países (NOTICIAS ADVENTISTAS, 2017). Todos
com os mesmos princípios, embora em culturas totalmente distintas.
Nós hoje somos a “raça
eleita, sacerdócio santo, povo de propriedade exclusiva de Deus” e fomos
chamados “ afim de proclamar as boas novas dAquele que nos chamou das trevas
para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9 a 10).
E não devemos pensar que
os princípios sobre o sábado mudaram. Quando igreja de Deus é descrita em
Apocalipse a observância dos mandamentos não é descartada, ao contraio ela é
tida como a característica principal (veja Apocalipse 12:17 e 14:12 por
exemplo). Sendo que o sábado é um dos mandamentos de Deus ele, logicamente,
está incluso nesses textos.
Semelhante aos israelitas
quando entraram na terra prometida, muitos dos guardadores do sábado têm
funcionários, ou fazem uso de serviços que necessitem de funcionários aos
sábados, ou tem algum parente/amigo que ainda não conhece o quão importante é
obedecer a esse mandamento.
Muitas dessas pessoas não
têm a oportunidade de descansar no sábado e desfrutar todas as bênçãos que esse
dia tem a nos proporcionar.
Nós, como sacerdotes de
Deus, devemos nos esforçar para que esse dia seja agradável a todos.
Que nossos familiares,
amigos, funcionários, vizinhos; enfim, todos a nossa volta, possam ser
beneficiados com esse dia maravilhoso de repouso físico e crescimento espiritual.
E que para todos aquele que não conhecem essa benção que possamos ajuda-los a
conhecer os benefícios que esse dia pode trazer.
Todos nós, valorizamos um
bom descanso semanal e reconhecemos que Deus nos deu esse presente desde a
criação. Mas muitos têm agido de forma egoísta e desprezado o bem-estar dos
outros nesse dia.
O sábado é para todos. E
nós como o povo de Deus devemos fazer o possível para que todos tenham a
oportunidade de desfrutar desse descanso.
4
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÍBLIA DE ESTUDOS
ANDREWS. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2015.
COMENTÁRIO BÍBLICO
ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA: A Bíblia Sagrada com o comentário exegético e
expositivo, 1. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, (Logos v. 1).
PAROUSIA: Doutrina do Sábado: Implicações.
Engenheiro Coelho: Unaspress, 2012.
NOTÍCIAS ADVENTISTAS: Igreja Adventista chega a mais de 20
milhões de membros no mundo. Disponível em: <http://noticias.adventistas.org/pt/noticia/institucional/igreja-adventista-chega-20-milhoes-de-membros-em-todo-o-mundo>
acessado 22 ago 2017.
TIMM, Alberto R. O Sábado na Bíblia: Por que Deus faz
questão de um dia. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2010.
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